As críticas a Gouveia e Melo: que bom sinal!

Já aqui escrevi que sou um apoiante de Gouveia e Melo desde a primeira hora, por duas principais ordens de razões: é o único candidato independente – um dado objectivo –, o que releva em virtude de o Presidente da República ser o árbitro do sistema e, como se sabe, qualquer árbitro deve ser imparcial, isento, neutral; é uma pessoa carismática, que projecta confiança, credibilidade e liderança – um dado subjectivo –, o que é fundamental em qualquer posição de relevo e, por maioria de razão, num Chefe de Estado.

Mas hoje escrevo porque tenho assistido a um desfilar de comentadores a denegrir a imagem de Gouveia e Melo, esgrimindo argumentos sem a menor consistência, num lamentável exercício de hipocrisia e má fé.

Refiro-me apenas a duas dessas críticas descabeladas.

Uns alegam, com ar senatorial, que Gouveia e Melo faz lembrar Salazar que também era contra os partidos políticos. É verdade que Salazar tinha uma concepção política anti-partidária: resumidamente, considerava que os partidos políticos promoviam a instabilidade, criando discórdias permanentes que fracturavam a coesão nacional.

Mas de onde é que foram retirar a ideia de que Gouveia e Melo é também contra os partidos políticos?… Esta é a questão!

É que partem de uma premissa propositadamente errada para ludibriar quem os ouve.

Não só Gouveia e Melo já disse várias vezes que os partidos políticos são essenciais num sistema democrático – não se conhece uma democracia sem partidos políticos –, como escolheu para seu mandatário nacional um ex-líder político – Rui Rio – com muitos anos de vida política activa, seja em termos autárquicos, seja em termos nacionais, tendo ainda como seus apoiantes, mandatários e coordenadores distritais, várias pessoas com ligações partidárias de quase todos os campos políticos. E tem, igualmente, muitíssimos cidadãos independentes a dar a cara pela sua candidatura. Querer equiparar, seja lá de ângulo for, Gouveia e Melo a Salazar é, numa palavra, ridículo.

Outros dizem, com subido enfado, que Gouveia e Melo não tem experiência política para o cargo de Presidente da República e até elencam as perguntas que os entrevistadores lhe devem colocar, suponho, para o embaraçar.

Estes, que falam de cátedra sem que nada de relevante lhes seja reconhecido que tenham feito pelo país, revelam uma profunda ignorância – ou será, também aqui, má fé? –, porque, realmente, não fazem ideia do que é uma carreira militar de alto nível: ninguém chega à posição de CEMA sem experiência política, o que é muito diferente de experiência em politiquice…

Além do mais, invocam a Constituição sem a conhecer, já que em lado algum se exige experiência político-partidária para se ser candidato a Presidente da República.

E já agora, cabe deixar-lhes estas duas perguntas: quantos políticos profissionais cometeram erros, alguns flagrantes, seja na Governação do país, seja na Presidência da República? De que lhes valeu, afinal, terem uma enorme experiência política? Tudo isto, e o mais que está para vir, só reflecte o nervosismo que a candidatura de Gouveia e Melo está a gerar no sistema político.  Que bom sinal!