“Não é por acaso que o turismo é mais competitivo que a economia nacional”, afirma presidente da APAVT

Pedro Costa Ferreira voltou a deixar rasgados elogios ao turismo, pela forma como tem sabido levar o nome de Portugal além-fronteiras e tornar o setor um dos principais motores económicos do país. “Não é por acaso que o turismo português é mais competitivo do que a economia nacional”, afirma o presidente da Associação Portuguesa das Agências de Viagens e Turismo (APAVT) no discurso de abertura do 50º congresso da entidade, que decorre em Macau, até 4 de dezembro.

O presidente da APAVT considera que o setor tem trabalhado e inovado para competir com os melhores de um mundo, onde Portugal se “embrulha cada vez mais nas trapalhadas de Bruxelas, na falta de visão de futuro, na preguiçosa perda de competitividade e na alegre condenação das próximas gerações”.

“Afundamo-nos na armadilha  do comentário fácil, em lugar de dar espaço ao estudo e voz ao conhecimento; desmoronamo-nos, à medida que as redes sociais substituem os livros, à medida que a digitalização da democracia afasta a tolerância, à medida  que nos escravizamos na estagnação económica, em lugar de trabalharmos para crescer, única maneira conhecida de redistribuir melhor, acolher os mais fracos e defender as próximas gerações”, refere.

Perante este cenário, Pedro Costa Ferreira salienta que turismo, e a distribuição turística, “tão atacados pela mediocridade reinante”, constituem certamente uma zona de resistência a todo este quadro.

“Tem permitido crescer, onde todos estagnam; tem dado uma hipótese à coesão territorial, onde todos centralizam; tem possibilitado acolher imigrantes, dando-lhes formação e condições dignas, quando outros os defendem nas ruas, para melhor os alojarem em camadas, como se fossem escória humana”, realçou.

O presidente da APAVT sustentou a sua opinião recordando os efeitos diretos, indiretos e induzidos da distribuição turística, que representaram em 2024, 7,7 mil milhões de euros, o equivalente a 3% do Produto Interno Bruto (PIB) nacional.

“Se pensarmos que, em 2022, o mesmo agregado económico representava 5,8 mil milhões de euros (2,2% do PIB) e, em 2019, 4,2 mil milhões, percebemos então o verdadeiro significado do crescimento fantástico da influência económica do nosso setor”, afirma.

Como tal, Pedro Costa Ferreira defende que estamos perante um setor que claramente cresce e se moderniza acima do padrão nacional, ampliando a sua influência na economia portuguesa.

“Para melhor enquadrarmos, os 7,7 mil milhões significam mais de sete vezes as exportações de vinho de Portugal, ou cerca de 23 vezes o Valor Acrescentado Bruto da Autoeuropa. A distribuição turística teve em 2024 um impacto global de cerca de 2,9% do emprego global, 3,3% do total nacional das remunerações, e 2,6% do total da receita fiscal arrecadada em Portugal”, refere.

O jornalista viajou a Macau a convite da APAVT.