A Ordem dos Médicos Dentistas (OMD) apresentou, esta quarta-feira, os resultados do estudo “Diagnóstico à Profissão 2025”, o qual confirma uma realidade alarmante: Portugal está a perder médicos dentistas para o estrangeiro, devido à falta de condições económicas, à instabilidade profissional e à ausência de políticas estruturais.
Segundo a OMD “o não reconhecimento da profissão como sendo de desgaste rápido (mencionado por mais de 60% dos inquiridos), o crescimento dos seguros e planos de saúde que refletem a crescente intermediação financeira do setor, a instabilidade salarial (para 46,2%), a falta de proteção social (42,2%), a ausência de contratos de trabalho (26,5%) e a falta da carreira no SNS (24,7%) são algumas das principais preocupações identificadas no estudo”.
“Os números falam por si. Atualmente, 7% dos médicos dentistas já trabalham fora de Portugal, sobretudo em França, no Reino Unido e na Suíça. 16,1% emigraram no último ano e 46% exercem no estrangeiro há mais de cinco anos, período a partir do qual a probabilidade de regressar diminui significativamente. Aliás, dos inquiridos apenas 18% pretendem regressar“, sublinhou.
Dos motivos apontados para emigrar, “55% afirmam que não conseguiam auferir um rendimento satisfatório em Portugal, 48,3% consideram que a profissão não é valorizada e 43,9% procuram melhor qualidade de vida”.
“A situação é ainda mais grave entre os mais jovens: 41,7% dos profissionais com menos de 30 anos decidiram emigrar antes de concluir o curso, o que indica uma perceção clara de falta de oportunidades no mercado nacional”, apontou a OMD.
O bastonário Miguel Pavão alertou que “a fuga de profissionais qualificados não é apenas um problema da classe médica dentária, mas sim um risco sistémico para a economia e para a saúde pública. A emigração de cada médico dentista representa um investimento perdido em formação e uma diminuição da capacidade de resposta do sistema nacional”.
“O Diagnóstico à Profissão 2025 confirma uma realidade preocupante: a medicina dentária em Portugal está a perder competitividade económica. Se não criarmos condições para garantir rendimentos justos, estabilidade contratual e regulação dos seguros, continuaremos a assistir à saída de profissionais qualificados, o que terá um impacto direto na economia nacional e na equidade do acesso aos cuidados de saúde. As propostas que apresentámos para o OE26 não são opcionais. São medidas estruturais para travar a desvalorização da profissão e assegurar a sustentabilidade do setor”, acrescentou.




