Avaliação por Múltiplos de EBITDA

Como o resultado operacional se relaciona com a avaliação de empresas?

Em M&A, o método mais usado na compra e venda de empresas é a avaliação por múltiplos de EBITDA, por permitir comparar rapidamente o valor do negócio com empresas semelhantes e reflectir a capacidade operacional de gerar resultados.

Se um negócio precisa de muitas explicações ou muitos modelos para justificar o seu valor, provavelmente é porque esse negócio não vale a pena.”

José Cardoso Botelho – Ceo Vanguard Properties

Numa avaliação por múltiplos de EBITDA, há duas regras-chave que convém ter bem claras: o EBITDA mede apenas a activdade operacional e os activos não operacionais ficam fora do múltiplo.

Isto é no fim, adiciona o valor dos activos nao operacionais ( exemplo: caixa excedentário, imoveis) e deduz-se a divida financeira ( divida remunerda, exemplo emprestimos bancários)


EBITDA = apenas negócio operacional

O múltiplo (ex.: 6x EBITDA) aplica-se exclusivamente à actividade core da empresa.

Tudo o que não é necessário para gerar o EBITDA:

  • não entra no EBITDA
  • não deve ser valorizado pelo múltiplo

Tratamento dos imóveis

a) Imóveis operacionais (necessários ao negócio)

Exemplos:

  • fábrica
  • armazém
  • sede onde a empresa opera

Duas abordagens (escolhe-se uma, nunca as duas):

Opção A – mais comum em M&A

  • O imóvel fica fora da avaliação
  • A empresa passa a pagar renda de mercado
  • O EBITDA é normalizado (deduz a renda)
  • Aplica-se o múltiplo ao EBITDA ajustado
  • O imóvel pode:
    • ficar com o vendedor
    • ser vendido à parte
    • ser arrendado ao comprador

Opção B – menos usada

  • O imóvel fica dentro da empresa
  • Não é valorizado por múltiplo
  • Acrescenta-se o valor de mercado do imóvel ao Enterprise Value

Erro comum: aplicar o múltiplo ao EBITDA e somar o valor do imóvel sem ajustar o EBITDA.


b) Imóveis não operacionais

Exemplos:

  • terrenos vazios
  • imóveis arrendados a terceiros
  • imóveis sem ligação ao negócio

Tratamento correcto:

  • Fora do EBITDA
  • Fora do múltiplo
  • Avaliados a valor de mercado
  • Somados no final ao valor da empresa

Caixa não necessária à operação (excess cash)

O que é o caixa excessivo?

Caixa ou disponibilidades finaceiras acima do normal para:

  • fundo de maneio
  • pagamentos correntes
  • necessidades operacionais normais

Exemplo:

  • Caixa total: 3,0 M€
  • Caixa necessária à actividade operacional: 1,0 M€
  • Caixa excedentária: 2,0 M€

Como é tratada?

  • Não entra no EBITDA
  • Não é valorizada pelo múltiplo
  • Soma-se 100% ao equity value

1€ de caixa excedentária = 1€ de valor adicional para o accionista


Fórmula prática (muito usada em transacções)

Enterprise Value (EV)
= EBITDA normalizado × múltiplo

Equity Value
= EV = acrescido

  • caixa excedentária
  • valor de imóveis não operacionais – ( menos) dívida financeira líquida

Exemplo simples

  • EBITDA normalizado: 2,0 M€
  • Múltiplo: 6x
    EV = 12,0 M€

Ajustes:

  • Caixa excedentária: +2,0 M€
  • Imóvel não operacional: +3,0 M€
  • Dívida líquida: −4,0 M€

Equity Value = 13,0 M€


Regra de ouro (em M&A)

EBITDA × múltiplo avalia o negócio.
Tudo o resto ajusta-se depois.

marcopclalmeida

Por

Marco Almeida é proprietário do site Bolsa Portugal Negócios e, desde 2000, participa, desenvolve e estrutura operações de fusões e aquisições (M&A) como consultor independente.