A integração de trabalhadores migrantes: um novo desafio das empresas

Inegavelmente, em Portugal e na União Europeia, estas pessoas sustentam setores inteiros da economia e respondem à crescente escassez de mão de obra.

Contudo, os trabalhadores estrangeiros continuam a enfrentar barreiras estruturais que limitam o seu potencial, embora sejam indispensáveis para o crescimento. Da desvalorização de competências à discriminação nos processos de recrutamento, a integração laboral está longe de ser plena. Ainda assim, é inevitável.

Com efeito, as empresas devem assumir um papel de liderança, transformando a diversidade em vantagem competitiva. A integração de trabalhadores migrantes é, decerto, uma questão ética e social. Mas também deve ser um fator de sustentabilidade e inovação.

A força de trabalho que sustenta o crescimento 

O papel dos trabalhadores migrantes no crescimento económico é, de facto, incontornável. Na Europa, por exemplo, a imigração tornou-se um fator decisivo para compensar o envelhecimento demográfico. Já em Portugal, a Standard & Poor’s deixa o alerta: o país poderá enfrentar uma escassez de trabalhadores até 2028 se não reforçar a entrada de migrantes no mercado.

A Comissão Europeia defende uma maior facilitação do acesso ao emprego para imigrantes, no âmbito da meta de uma taxa de emprego de 78% até 2030.

Perante esta realidade, como podemos, enquanto sociedade, continuar a dificultar a integração de trabalhadores migrantes? É fundamental, pois, reconhecer que a imigração não constitui apenas uma resposta à falta de mão de obra. Trata-se, sim, de uma resposta à sustentabilidade económica e social das próximas décadas.

O caso japonês 

O exemplo do Japão oferece-nos algumas indicações sobre o que poderá ocorrer noutras economias desenvolvidas. Com uma população envelhecida e uma escassez acentuada de pessoas em idade ativa, são os migrantes que garantem o funcionamento da economia.

Além de preencherem vagas essenciais, estes trabalhadores contribuem para revitalizar comunidades e estimular a natalidade, evidenciando o impacto deste fenómeno demográfico na vitalidade dos países.

As barreiras à integração de trabalhadores migrantes 

Apesar do seu contributo inegável, estas populações deslocadas ainda enfrentam obstáculos significativos à sua inclusão no mercado laboral. Entre os principais entraves, destacam-se:

  • Barreiras linguísticas;
  • Dificuldade no reconhecimento de qualificações estrangeiras;
  • Precariedade contratual.

A estas barreiras somam-se os efeitos perniciosos da discriminação nos processos de contratação. Estudos demonstram que candidatos de origem estrangeira recebem entre 30% e 50% menos respostas positivas às suas candidaturas.

Como criar locais de trabalho inclusivos? 

A verdade é que, em muitos casos, o mercado ainda não está preparado para lidar plenamente com esta diversidade. Assim, que estratégias equacionar para promover eficazmente a integração de trabalhadores migrantes nas empresas?

Primeiramente, é necessário apostar em lideranças inclusivas, conscientes do seu papel na construção de equipas diversas e coesas.

Mais do que eventos pontuais e campanhas de promoção da diversidade, as empresas devem começar por garantir equidade nos processos de recrutamento. Porém, não devem ficar por aqui. As organizações devem promover a integração de trabalhadores migrantes por meio de:

  • Formação em gestão da diversidade cultural;
  • Promoção da sensibilidade cultural e da empatia no seio das equipas;
  • Apoio linguístico e programas de mentoria que contribuam para reduzir o isolamento dos novos trabalhadores;
  • Formação profissional dirigida a migrantes.

O objetivo passa, portanto, por criar uma força de trabalho diversificada, em que o talento — independentemente da sua origem — encontre espaço para se desenvolver. Pode parecer um discurso repetido, mas as equipas multiculturais constituem, de facto, uma vantagem competitiva ímpar para as empresas.

Num mundo tão interligado quanto fragmentado, cabe às organizações assumir a responsabilidade social que lhes é devida na promoção da inclusão laboral.

 

Este artigo é produzido pela Gi Group.