Endividamento da economia acelera para 866,4 mil milhões em setembro

Em setembro de 2025 o endividamento do setor não financeiro (administrações públicas, empresas e particulares) aumentou 9,4 mil milhões de euros, para 866,4 mil milhões de euros, divulgou o Banco de Portugal (BdP), esta sexta-feira.

“Deste total, 478,0 mil milhões de euros respeitavam ao setor privado (empresas privadas e particulares) e 388,4 mil milhões de euros ao setor público (administrações públicas e empresas públicas)”, pode ler-se no comunicado do BdP.

O Estado, as empresas e os particulares tiveram um aumento do seu endividamento em 9,4 mil milhões em setembro, na maior subida desde abril de 2020, após o confinamento.

O Banco de Portugal adianta esta sexta-feira que o aumento registado em setembro se deveu sobretudo ao setor público, onde o endividamento cresceu 6,7 mil milhões de euros.

“Este acréscimo ocorreu, sobretudo, perante o exterior (+6,0 mil milhões de euros), refletindo essencialmente o investimento de não residentes em títulos de dívida pública portuguesa. Verificou-se também um crescimento do endividamento do setor público perante as administrações públicas (+0,6 mil milhões de euros) e os particulares (+0,3 mil milhões de euros). Em sentido inverso, o endividamento do setor público reduziu-se perante o setor financeiro (-0,3 mil milhões de euros), principalmente pelo desinvestimento em títulos de dívida de curto prazo”, pode ler-se.

No setor privado, deu-se um aumento de 2,6 mil milhões de euros, com o banco central a dizer que essa evolução se deveu às famílias que pediram mais dinheiro à banca para comprar casa (+1,0 mil milhões) e também às empresas, cujo financiamento junto da banca naquele mês aumentou 800 milhões de euros.

“O endividamento dos particulares subiu 1,3 mil milhões de euros, essencialmente perante os bancos, por via do crédito à habitação (+1,0 mil milhões de euros). Por sua vez, o endividamento das empresas privadas aumentou 1,4 mil milhões de euros, refletindo, principalmente, o incremento do financiamento obtido junto do setor financeiro (+0,8 mil milhões de euros) e do exterior (+0,6 mil milhões de euros)”, explica o BdP.

Em setembro de 2025, o endividamento das empresas privadas cresceu 2,5% relativamente ao mesmo mês de 2024. Em agosto, tinha registado um crescimento idêntico.

O endividamento dos particulares subiu 7,8% em relação ao período homólogo, o que constitui um novo máximo desde o início da série (dezembro de 2008).