Gonçalo Lobo Xavier não espera que greve geral venha a ter impactos significativos nas retalhistas

A Associação Portuguesa de Empresas de Distribuição (APED) não espera que a greve geral, marcada para dia 11 de dezembro, venha a ter impactos significativos no sector, tanto no retalho alimentar como no não alimentar.

Em entrevista à Antena1 e ao Jornal de Negócios, Gonçalo Lobo Xavier, Diretor Geral da APED adiantou que não é esperada uma “perturbação significativa” no sector em geral e diz mesmo que não estão a estimar que haja “fecho de lojas ou perturbações maiores”.

Gonçalo Lobo Xavier lembra que “a sindicância no sector tem baixado significativamente” e que o diálogo com os sindicatos tem existido permitindo que o sector esteja “relativamente pacificado”.

Na mesma entrevista considera a proposta do Governo de alteração da legislação laboral ambiciosa, mas sem “nada que seja gravoso”, apenas mal comunicada e vê na greve “uma reação política” legítima de descontentamento dos sindicatos.

Gonçalo Lobo Xavier revela ainda que em 2026 o cabaz alimentar vai continuar a aumentar, não tanto pela necessidade de acomodar os aumentos salariais, mas porque há matérias-primas cujo preço vai aumentar, como a carne e o peixe.

Relativamente ao Natal, a APED espera que o consumo seja idêntico ao do ano passado. Ainda assim os números considerando também já a black friday revelam um aumento de vendas da ordem dos 10% na eletrônica e eletrodomésticos e uma quebra no sector têxtil por causa das compras online. O alimentar está a seguir um caminho idêntico ao de 2024.

O que também vai aumentar em 2026 é a garrafa da água, mas por via da entrada em funcionamento a partir de abril do SDR – Sistema de Deposito e Reembolso. O valor oficialmente ainda não foi anunciado, mas estima-se que o consumidor pague mais 10 cêntimos que serão reembolsados quando devolver o vasilhame.

Gonçalo Lobo Xavier considera que o sector está preparado para pôr em prática o sistema de entrega e reutilização das garrafas de plástico.

Nesta entrevista, o Diretor-Geral da APED revela ainda que o sector já emprega 12% de estrangeiros e está a utilizar a chamada “via verde” para trazer mais dois a três mil estrangeiros para trabalhar em Portugal para o sector do retalho alimentar e não alimentar.