Phil Clifton. Este é o nome por detrás da tese defendida pelo fundo que foi liderado por Michael Burry, investidor conhecido por prever a crise imobiliária de 2008 (e que ganhou uma fortuna pelo caminho) de que existe uma bolha na inteligência artificial e que alimentou o short (aposta na queda do preço de uma ação) à Nvidia e Palantir, dois players neste setor.
Mas afinal quem é Phil Clifton? Trata-se do antigo gestor da Scion Asset Management, o fundo liderado por Michael Burry, que mobilizou mil milhões de dólares (860 milhões de euros) em shorts à Nvidia e Palantir. O short à Nvidia foi de 186 milhões de dólares ou 160 milhões de euros e o da Palantir de 912 milhões de dólares ou 788 milhões de euros. O fundo, depois de ser conhecido estes shorts, acabou por ser encerrado por Michael Burry, justificando-se com “avaliações desconectadas do mercado”.
Michael Burry descreve Phil Clifton como um “tremendo” jovem talento na área do investimento e o “pensador mais prodigioso que já encontrou”. Ao nível académico, Phil Clifton tem formação em área como a Engenharia Aeroespacial, Aeronáutica e Astronáutica. Depois de encerrado a Scion Asset Management Phil Clifton acabou por abrir a sua própria firma, a Pomerium Capital.
Documentos revelam visão da Scion Asset Management sobre IA
Em documentos acedidos pela CNBC, são revelados os motivos que sustentavam a crença do Scion Asset Management de que existe uma bolha no sector da inteligência artificial.
Nesses documentos, Phil Clifton defendia que apesar de existir um “acelerar” na adoção da inteligência artificial, a economia da construção de infraestrutura “ainda não justifica o custo”.
Nos documentos consultados pela CNBC, Phil Clifton defendia que o mundo está a dar “muito mais importância económica” à inteligência artificial “do que provavelmente será oferecida”. O antigo gestor da Scion Asset Management argumentava que só “porque uma tecnologia é boa para a sociedade ou revoluciona o mundo, não significa que seja uma boa proposta de negócio”.
Phil Clifton também contestava o uso da inteligência artificial. Dados do Pew Research Center, citados pela CNBC, apontam para que mais de 60% dos adultos nos Estados Unidos interajam com inteligência artificial algumas vezes por semana. Mas a tese de Phil Clifton apontava para que a procura por esta tecnologia seja “surpreendentemente pequena”.
A tese de Phil Clifton defende que os serviços de inteligência artificial generativa que existem, no seu conjunto, “são insuficientes” para justificar os montantes que estão a ser investidos em infraestruturas.
Fundo encerrado por Michael Burry comparava IA com bolha das dotcom
O Scion Asset Management fez também um paralelismo entre a inteligência artificial e a bolha das dotcom que rebentou em 2000, tendo por base a tese defendida por Phil Clifton. O fundo que foi liderado por Michael Burry lembrou o grande investimento que foi feito, nessa era, em redes de fibra óptica que depois não tiveram correspondência com o seu uso real. O Scion Asset Management salientou que a utilização da capacidade nos Estados Unidos [em redes de fibra óptica] caiu para cerca de 5% levando a que os preços das telecomunicações caíssem cerca de 70% num +único ano.
Face a esta realidade das dotcom, Phil Clifton, defendeu que as grandes empresas da cloud (nuvem) estavam numa corrida que tem comparação com a que aconteceu nas redes de fibra óptica, ao expandirem as suas infraestruturas de inteligência artificial na expetativa de que a procura futura acompanhe esse mesmo investimento.
Phil Clifton defende que num cenário em que a adoção em massa da inteligência artificial “demore mais tempo” do que o esperado, a viabilidade económica dos contratos que estão a feitos ao nível dos centros de dados (data centers) “poderá tornar-se insustentável”.
Nos documentos consultados pela CNBC, Phil Clifton lembrava que já estão a existir alguns ‘soluços’ por parte de algumas tecnológicas, como foi o caso da Microsoft, que cancelou projetos de centros de dados de dois gigawatts de eletricidade nos Estados Unidos e Europa, justificando a opção com o “excesso de oferta”.
A tese do fundo que era liderado por Michael Burry também dirigia atenções à Nvidia, a empresa mais valiosa do mundo, e que também tem beneficiado com os desenvolvimentos na inteligência artificial. Com base no defendido por Phil Clifton o fundo lembrava os “pedidos sem precedentes” pelos chips da Nvidia. Contudo a Scion Asset Management questionava se esses clientes [que adquiriram esse equipamento à Nvidia] algum dia iriam gerar retorno económico sobre esse investimento.
E tal está ligado à depreciação desses ativos. O Scion Asset Management defendia que as grandes tecnológicas estavam a prolongar a vida útil dos servidores para seis anos. De acordo com os documentos consultados pela CNBC os ciclos de produto da Nvidia passaram a ser anuais, levando a que os chips mais antigos passassem a ser obsoletos e menos eficientes em termos energéticos, muito antes de serem depreciados. A teoria do fundo acabou contestada pela Nvidia que defendeu que esses equipamentos continuavam produtivos durante mais tempo do que os críticos alegavam.




