O antigo primeiro-ministro José Sócrates considerou, esta quinta-feira, ser “alheio à decisão do meu advogado”, num requerimento onde fala sobre a troca de advogado.
No requerimento, José Sócrates começou “pelo que mais me ofende – a senhora juíza classifica a renúncia do meu advogado como uma “manobra dilatória”, deixando sugerido no texto que foi combinado comigo”.
“Acontece que esse comentário é falso e é injusto e apenas o tomo como mais um sintoma dos juízos de intenção em que todo este processo tem sido fértil e também, lamento dizê-lo, um sinal de parcialidade que é impróprio da função e do poder judicial”, disse Sócrates.
O antigo governante referiu ser “alheio à decisão do meu advogado, que me acompanhou ao longo deste penoso e infamante processo, numa luta difícil e absolutamente desigual de muitos anos, perante um poder que, de forma impune, viola direitos fundamentais e até as mais elementares regras do processo”.
“Perco, com a saída do meu advogado, um conhecimento inigualável do processo, que é difícil substituir. Ele e a Senhora Juíza saberão melhor o que terá ocorrido dentro daquela sala de audiências para motivar tal atitude. Mas não há, para mim, qualquer dúvida do seguinte: o principal penalizado pelo ocorrido sou eu. Para mim, nada disto é uma brincadeira”, assegurou Sócrates.
Para José Sócrates “as manobras dilatórias são um mito”. “Um mito tão antigo, tão forte e tão apoiado pelos poderes fácticos nacionais que funciona até nas circunstâncias mais absurdas. Para qualquer espírito limpo de preconceitos é fácil de entender que eu sou o principal prejudicado pela renúncia do meu advogado – mais uma vez, doze anos de trabalho e um profundo conhecimento do processo que é difícil de substituir. O argumento da intenção dilatória por detrás da renúncia não é só desonesto – é absurdo”, considerou.
No requerimento, José Sócrates disse ainda que: “todo o discurso judicial que imediatamente surgiu nos jornais a propósito de eventuais prescrições tem a ver com o prazo que inevitavelmente terá que ser requerido pelo futuro advogado para estudar o processo e preparar a minha defesa”.




